Fantasiada, menina interage com cangurus em parque na Austrália; veja mais fotos: http://folha.com/131372 (Foto: Carters News/The Grosby Group)
Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce – uma estrela,
Quando se morre – uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
“Ponham-me a cruz no princípio…
E a luz da estrela no fim!”
- Pablo Neruda
| — | (via jovadou) |
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade
Idôneo não é indolente, mente e sente
Move-se par do bem, objetivos são a lei
Idôneo é como o touro que é forte, que cansa e não reclama
Bufa e exclama com sol que arde.
Idôneo é crente, é sabedor do que quer, determinismo nem que seja a pé
Idôneo se cria com pudor, e desabrocha como o girassol no solstício
Idôneo nem é vício, se fosse, do que eu teria a ver com isso?!
Beto Paskin

